continue estranho. é o que te torna legal

26 de março de 2026

Em uma época em que todos seguem um padrão, ser diferente é literalmente o seu diferencial.

Para tentar nos encaixar, acabamos nos perdendo de nós mesmos. Lembro que, no início do ensino fundamental II, mudei de escola e queria participar do grupo das garotas descoladas da escola.

Comecei a experimentar novos penteados e maquiagens, tentando, de toda forma, me diferenciar no meio de tantas outras pessoas com o mesmo uniforme escolar, para que os populares me notassem. Mas venho dizer que meu plano não deu certo, além de perceber que eu não queria fazer parte daquele grupo, porque não era quem eu realmente era.

Não vou mentir que até hoje sofro com a necessidade de querer ser aceita em determinado grupo e de me comparar — é difícil se desprender desse sentimento. Tenho medo de expor minhas ideias e opiniões e não ser ouvida, por achar que não é isso que querem ouvir ou acham interessante. Essa insegurança de ser a gente mesmo cria uma distância de nós mesmos e dos outros em relação a nós.

Outro ponto que quero comentar é sobre a Alysa Lyu, a patinadora norte-americana medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de 2026. Ela conquistou o mundo recentemente não somente por suas habilidades e movimentos técnicos bem feitos, mas também pela sua originalidade.

A forma como ela se movimentava exalava tranquilidade e alegria, mesmo sendo assistida por jurados e pelo mundo todo. Ao se apresentar com Stateside, da PinkPantheress com Zara Larsson, um estilo de música que não é comum nas competições, causou um impacto positivo no público e na própria apresentação. Ela não estava fazendo aquilo pelos outros, esperando a aprovação, mas sim por ela mesmo. Ela vê o valor em si mesma, e isso basta.

A afirmação de ser estranho é o que te faz ser legal pode ser observada ao dar como exemplo a Phoebe Buffay, do seriado Friends. Para quem nunca assistiu, a obra acompanha a vida de seis amigos que, juntos, enfrentam os pesadelos e as delícias da vida adulta. Cada um com sua personalidade, problemas, conquistas e muito mais. Mas tenho que admitir que a minha personagem favorita é a Phoebe.

Apesar de ser considerada a mais excêntrica do grupo, com suas roupas esquisitas e seus penteados diferentes, foi quem mais me cativou. E isso tem um motivo: ela é fiel a si mesma. É lembrada justamente porque nunca tentou se encaixar, e é isso que a torna inesquecível.

Phoebe Buffay, Friends.
Phoebe Buffay, Friends.

Com o tempo, começamos a prestar mais atenção em nós mesmos e tentamos nos aceitar do jeito que somos — mesmo que sejamos meio esquisitos. Não tenha vergonha de falar quem é seu artista favorito, de comentar um filme que você assistiu recentemente e adorou, um desenho animado que você ama ou até vestir roupas de que você gosta, pois isso é libertador. E é dessa forma de agir que consegui minhas melhores amizades.

Percebo o quanto pessoas “esquisitas” são as que mais chamam minha atenção. Elas não estão tentando ser como todo mundo; elas são elas mesmas. E isso cativa quem está ao redor, dá vontade de tê-las ao lado, de desenrolar uma conversa sobre seus gostos. Por isso, abraçar as suas esquisitices faz de você uma pessoa mais interessante. A autenticidade chama mais atenção do que o padrão.

Leia também

entre em contato

rsviana.rti@uesc.br