fotografia e memória

3 de março de 2026

Assim como muitas pessoas — principalmente do interior, eu também me mudei para estudar, já que as opções de instituições na minha cidade eram escassas, especialmente no ensino médio, e inexistentes no ensino superior. Essa tem sido a minha realidade desde então, quando saí de casa aos 16 anos.

Durante o processo de mudança, costumamos ser seletivos no que levar e no que vai ficar. O problema é que, entre as coisas que ficam e que não podemos escolher, estão a nossa família e os amigos. Sair de perto de quem você ama é doloroso, mas a ânsia de conquistar um futuro melhor por meio dos estudos nos mantém firmes. Apesar de que às vezes tudo o que a gente quer é pegar o primeiro ônibus para voltar para nossa casa, só para poder dar um abraço em todos.

como é a minha caixinha.
como é a minha caixinha.

Essa foto representa um pouco do meu carinho por eles e do carinho deles por mim. Uma caixinha que guarda amor. Tem objetos desde uma pulseira de elástico que ganhei da minha priminha até um origami que minha amiga fez durante um momento de tédio na aula e me deu. Tem também cartas, ingressos de cinema, desenhos, mas principalmente fotografias — recortes de momentos efêmeros que se tornam especiais e viram eternidade em um pedaço de papel ou em um arquivo. Essa imagem mostra um pedaço da minha vida em uma caixinha de biscoito, um pouco do que pude trazer comigo para a minha nova casa.

Tem todo esse papo sobre viver o momento, esquecer o celular e não precisar tirar fotos. Eu já propaguei muito essa ideia — às vezes, até hoje. Mas a sensação de chegar em casa e ver as imagens que foram registradas naquele dia é como voltar no tempo e até sentir um pouco do que você viveu naquele momento. Há algo quase mágico nisso: esse é o poder da fotografia. Então, termino este texto dizendo para viver o momento, sim, mas sem deixar de registrá-lo. No futuro, você vai perceber que aquele clique valeu a pena.

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